O início do segundo mandato de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos trouxe consigo uma escalada na guerra comercial contra outros países, especialmente os vizinhos México e Canadá, e a China. A estratégia adotada por ele é bem simples: aumentar as alíquotas dos impostos de importação, incentivando o consumo de produtos locais e impedindo a saída de dólares. Independentemente do sucesso dessa medida no curto ou longo prazo – não sou especialista em economia, mas em direito –, esse momento me inspirou a refletir sobre o desenvolvimento sustentável de Campos Altos e como podemos promover a qualidade de vida e a felicidade de nossa comunidade.
A qualidade de vida de uma sociedade depende de uma série de investimentos e gastos, sejam eles públicos ou privados. Esses investimentos podem ser feitos por meio de objetos móveis ou imóveis de valor econômico. Os imóveis, como sabemos, estão fixos em um lugar, mas seu valor econômico varia de acordo com a demanda por mercadorias e serviços vinculados a eles. De fato, a valorização dos imóveis depende da existência ali e ao redor de bens e serviços. Por exemplo, um lote sem edificação tem um valor econômico menor do que o mesmo lote com uma série de instalações e benfeitorias realizadas por prestadores de serviço a partir de bens materiais adquiridos no comércio.
A forma mais dinâmica de adquirir bens e serviços é por meio do dinheiro, outro bem móvel com valor econômico. O escambo, embora historicamente relevante, é praticamente inexistente hoje. Portanto, se quisermos desenvolver um imóvel ou mesmo uma cidade, precisamos de dinheiro para investimentos e gastos. Sendo assim, é fundamental trazer dinheiro para Campos Altos por meio de investimentos, sejam eles públicos ou privados, diretos ou indiretos. Mas, se trazer dinheiro não é tarefa fácil, é menos difícil impedir que o dinheiro vá embora.
Caso o dinheiro ganho em Campos Altos permaneça aqui, temos mais condições de investir na nossa vida individual e coletiva. Por exemplo, se, ao invés de comprar material de cartório em outra cidade, eu comprar o mesmo material em Campos Altos, o dinheiro sai da minha mão e vai para a mão do empresário local. Esse empresário, por sua vez, usará esse dinheiro para adquirir bens e serviços para si, fazendo a roda da economia girar. Dependendo da demanda de seu comércio, esse mesmo empresário poderá contratar mais um empregado, que receberá por sua vez um salário para adquirir bens e serviços para si. Com poder aquisitivo, esse empregado mesmo poderá ir ao meu cartório para lavrar uma escritura de compra de imóvel, o que dependerá do material de cartório comprado de seu patrão. É o ciclo virtuoso da economia, em que todos ganhamos!
Sendo assim, na medida do possível, deveríamos privilegiar o mercado local, mantendo aqui o nosso dinheiro. Mesmo que seja um pouco mais caro, manter o dinheiro em Campos Altos faz bem para todos nós. Sabemos que a concorrência com centros maiores é bem difícil. É importante que os comerciantes e prestadores de serviço tenham também a disposição para oferecer preços competitivos, que garantam seu lucro, mas que não espantem o cliente. Afinal, o desenvolvimento sustentável de Campos Altos depende de todos nós. Se der, consuma em Campos Altos.
