Queijo Minas Artesanal: patrimônio de Campos Altos e da humanidade
- Por: André de Paiva Toledo
- 10/01/2025 16:37
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) é um organismo internacional criado para promover a paz e segurança no mundo, através da colaboração entre as nações. A Unesco busca promover a diversidade cultural e proteger os direitos humanos, além de incentivar a cooperação internacional para a preservação do patrimônio cultural e natural, reconhecendo e valorizando expressões culturais que têm importância para a identidade de todos os povos.
Uma das formas mais significativas de atuação da Unesco é no campo do patrimônio histórico e cultural. Por meio de listas do patrimônio imaterial mundial, a Unesco reconhece práticas, saberes e tradições, considerando que essas manifestações culturais devem ser preservadas e transmitidas às futuras gerações. Este reconhecimento tem um papel crucial na valorização e proteção de práticas culturais, além de proporcionar visibilidade global a essas expressões.
Recentemente, a Unesco fez história ao incluir os modos de fazer o Queijo Minas Artesanal na Lista Representativa do Patrimônio Imaterial da Humanidade. Essa inclusão representa o primeiro reconhecimento internacional de um alimento brasileiro na forma de um saber-fazer. Este feito, sem dúvida, traz mais um olhar para a gastronomia e para a rica diversidade cultural de Minas Gerais.
Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já havia reconhecido os modos de fazer o Queijo Minas Artesanal como patrimônio cultural brasileiro. Essa decisão do Iphan foi um passo importante no reconhecimento da tradição dos queijeiros de Minas Gerais, que ao longo dos séculos mantiveram viva uma prática que remonta aos tempos coloniais, com a produção do queijo a partir do leite bovino cru.
A produção do Queijo Minas Artesanal é encontrada em 106 municípios de Minas Gerais, o que corresponde a 12,5% do estado, sendo distribuída em 16 regiões. Entre esses municípios, destaca-se Campos Altos, onde se produz o Queijo Minas Artesanal da região do Araxá com as regras oficiais de designação de origem, como parte da tradição que caracteriza a região. Por isso devemos chamar de Queijo Araxá o queijo produzido no território de Campos Altos.
Além disso, Campos Altos faz divisa com municípios de outras importantes regiões queijeiras, como a Canastra e o Cerrado, o que torna o município um importante ponto de convergência na produção desse alimento tão significativo. Com efeito, em Ibiá e Pratinha – como em Campos Altos – produz-se o Queijo Minas Artesanal da região do Araxá; já em Medeiros, produz-se o Queijo Minas Artesanal da região da Canastra; assim como em São Gotardo, Santa Rosa da Serra e Rio Paranaíba, produz-se o Queijo Minas Artesanal da região do Cerrado.
Por esse motivo, sempre digo que Campos Altos está em uma tríplice fronteira do Queijo Minas Artesanal, conectando três regiões com uma forte tradição de produção de queijos artesanais: Araxá, Canastra e Cerrado. Esse posicionamento geográfico destaca ainda mais a importância cultural e histórica da cidade, que contribui para a preservação de um dos maiores patrimônios gastronômicos e culturais do Brasil e da Terra.
