A semana de celebração do Natal é um momento muito aguardado. Nas ruas, nas lojas, nas casas, a decoração característica começa a tomar conta, com música, luzes, árvores e presépios. É uma festa que, embora tenha um forte caráter religioso, vai além dos limites da fé cristã. O Natal se insere de maneira profunda na cultura ocidental, sendo difícil encontrar alguém que, de alguma forma, não esteja envolvido com os festejos.
É fascinante perceber pessoas de outras religiões e até mesmo quem não tem nenhuma vinculação religiosa específica, que param para celebrar o Natal. Algumas fazem isso de forma mais superficial, outras com um significado mais profundo, mas todos, em maior ou menor grau, compartilham o espírito natalino. Isso acontece porque, no fim das contas, o Natal se tornou mais do que a comemoração do nascimento de Jesus. Trata-se da festa da família!
Quando vejo, no presépio da minha casa, José acompanhando Maria grávida, lembro-me do dia em que minha esposa entrou em trabalho de parto. Naquela noite de verão de 2017, nossa família foi presenteada com o nascimento de nossa filhinha. Aquelas horas de espera e apreensão também foram de esperança e alegria. Era a explosão de uma vida, mas também a abertura de um novo capítulo em nossa história familiar.
Entretanto, não é porque um casal decidiu livremente ou não pode gerar naturalmente uma criança que ali não existe uma família. A ideia de família vai além do número de filhos ou da forma como as crianças surgem. Também é família quando um casal ou uma pessoa individualmente decidem adotar uma criança. O gesto de adotar é um sinal profundo de amor e acolhimento, o fortalecimento dos laços familiares.
Nem mesmo o amor faz uma família. Ainda que seja um elemento essencial para a formação de uma família, sabemos que, infelizmente, há famílias em que o amor desapareceu ou nunca existiu. E, nesse sentido, a pergunta surge: o que faz uma família existir, então?
Acredito que o que realmente faz uma família ser uma família é a comunhão. Uma família existe quando determinadas pessoas passam a viver com um propósito comum, quando cada uma renuncia à parte de sua individualidade para viver em união, a fim de concretizar algo maior, um projeto compartilhado, um sonho coletivo.
Quando esta comunhão se quebra, a família deixa de existir. Por isso, não podemos chamar de família uma empresa, uma república de estudantes, um partido político ou uma cidade. Ali não há a ação individual em prol de um fim comum, mas cada um age segundo os seus interesses particulares. Na família, não há necessidade de diretoriais ou governos. Na família, não há leis ou decretos.
O exemplo da sagrada família nos ensina justamente isso: a família é feita de comunhão. José, Maria e Jesus, unidos por um propósito comum, nos mostram que a família é a situação real em que o amor e o compromisso recíprocos sustentam a união, durante a vida e após a morte. Feliz Natal a todos!
