Comemoramos neste dia o 80º aniversário da emancipação do distrito de Campos Altos – então subordinado a Ibiá – à categoria de município. O fato se deu, no final do Estado Novo, quando governava Minas Gerais o Interventor Benedito Valares – indicado pelo Presidente Getúlio Vargas – cujo nome passaria a batizar a praça central da cidade.
Entretanto, a história de Campos Altos como núcleo urbano começa antes, coincidindo com a construção da Ferrovia Centro Atlântica (antiga Estrada de Ferro Goyaz), que corta essas paragens, desde 1912, de leste a oeste. Se buscarmos o momento da concepção de Campos Altos, tudo aconteceu há mais de um século. Até aquele momento, São Jerônimo dos Poções era o principal núcleo urbano da região, onde, desde o fim do século XIX, havia um cartório de notas e registro civil, extinto por Lei em 2016, de cujo acervo sou depositário.
Naquele tempo, durante a construção da ferrovia, Álvaro César de Barros Ribeiro decidiu abrir um comércio de mantimentos para os trabalhadores que vinham de longe. Para tanto, construiu um imóvel dentro dos limites da Fazenda Palestina, próximo de onde se instalaria uma estação ferroviária. Batizada de “Pedro Nolasco”, essa estação, que passaria a ser popularmente conhecida como “Urubu”, encontra-se ainda hoje na Praça Benedito Valadares. Não demorou nada para que se levantassem aqui as primeiras construções, inclusive a sua famosa pensão.
Estavam assim traçadas as primeiras linhas de Campos Altos, terra do café do cerrado mineiro, do queijo Araxá e do complexo da Serra da Canastra, onde se dividem a bacia do Rio São Francisco e a bacia do Rio Paranaíba.
Campos Altos se desenvolveu como núcleo urbano, fazendo parte de diversas circunscrições territoriais e, consequentemente, subordinando-se a diversas administrações municipais, como foram os casos de Carmo do Paranaíba e Ibiá. Esse processo obrigou o Poder Público a instalar no distrito, em 1939, um serviço cartorário: o Tabelionato 1º Ofício de Notas e Registro Civil das Pessoas Naturais, atualmente sob minha responsabilidade. Mas há 85 anos, José Elisário de Rezende era o 1º Tabelião de Notas e Oficial de Registro, incumbido de ambas as funções por ato do então Juiz de Paz, Virgílio Marques Guimarães.
Cinco anos depois, em 1944, Campos Altos se tornava enfim município, passando a constar com um governo próprio e uma câmara legislativa. É o 80º aniversário desta transformação que comemoramos agora.
Com a elevação do município de Campos Altos à categoria de comarca em 2002, passou também a existir aqui o centro de jurisdição estadual, que é o fórum, onde são julgados os casos ocorridos em Campos Altos (sede) e Santa Rosa da Serra. Por conta disso, criaram-se aqui outros serviços cartorários: registro de imóveis, registro de títulos e documentos, registro de pessoas jurídicas, e protesto de títulos e documentos. Hoje, em razão da Lei, sou também o responsável pelo Tabelionato de Protesto de Títulos e Documentos de Campos Altos.
A minha história se confunde com a história dos cartórios, que, por sua vez, se confunde com a história de Campos Altos, seja como arraial, distrito, município ou comarca. Por isso, ao comemorar os 80 anos da sua emancipação municipal, rendemos homenagem a todos os homens e mulheres que têm construído esta comunidade há mais de cem anos.
André de Paiva Toledo é o 1º Tabelião de Notas e Protesto de Campos Altos e o Oficial interino do Registro Civil das Pessoas Naturais de Campos Altos.
