Vídeo: Projeto ‘Quebrando o Silêncio’ promove debate sobre proteção às mulheres em Campos Altos

De acordo com Muniz, o movimento surge a partir de uma inquietação pessoal que se transformou em ação coletiva.
- Foto: Internet | Reprodução


No próximo dia 3 de março, às 19h, Campos Altos recebe a primeira edição da roda de conversa ‘Quebrando o Silêncio’, iniciativa voltada ao debate sobre violência doméstica e direitos humanos. O encontro, aberto à comunidade, será realizado no Espaço Dalva's Buffet e marca o início de um projeto que pretende inserir temas sensíveis no centro da discussão pública.

O projeto é idealizado por Ana Paula dos Santos Muniz, 26, Ailma Pereira dos Santos, 47, e Vitor Gabriel da Silva Soares, de 18 anos. De acordo com Muniz, o movimento surge a partir de uma inquietação pessoal que se transformou em ação coletiva. Em entrevista ao Portal No Foco, ela relatou que a ideia nasceu de uma análise crítica da realidade local e de reflexões sobre a recorrência da violência doméstica e das múltiplas vulnerabilidades sociais.

Um espaço seguro, sem bandeiras políticas

Segundo ela, o projeto deixa claro, desde sua concepção, que não possui vínculo político-partidário. A proposta é criar um ambiente neutro, seguro e acessível, onde diferentes vozes possam ser ouvidas sem julgamentos. A base da iniciativa está em três pilares: informação, diálogo e empatia.

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A intenção é promover rodas de conversa periódicas sobre direitos humanos, direitos das mulheres e outros assuntos de interesse coletivo. Não se trata de palestras expositivas, mas de encontros horizontais, nos quais especialistas e comunidade compartilham experiências, esclarecem dúvidas e constroem entendimento conjunto.

A urgência do tema

A estreia do projeto não poderia abordar outro assunto: ‘Violência Doméstica e Direitos Humanos’. A escolha reflete uma realidade alarmante. A violência contra a mulher permanece como uma das mais graves violações de direitos no país, atravessando classes sociais, faixas etárias e contextos culturais.

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Ao propor o debate, o ‘Quebrando o Silêncio’ reconhece que o enfrentamento dessa violência exige mais do que indignação momentânea. Exige informação qualificada, responsabilidade social e articulação entre diferentes setores da sociedade.

Especialistas confirmados

Para dar profundidade ao debate, o evento contará com profissionais de diferentes áreas, refletindo a complexidade do tema:

Dra. Élida Rangel, professora e terapeuta especializada em Constelação Familiar, trazendo uma perspectiva voltada às dinâmicas familiares e aos impactos emocionais da violência.

Cb. Larissa Antunes, policial militar e instrutora do Proerd, que poderá abordar a prevenção e os caminhos institucionais de proteção.

Dr. Eduardo Brabo, promotor de Justiça da Comarca de Campos Altos, oferecendo esclarecimentos sobre os instrumentos legais disponíveis e o papel do Ministério Público.

Dra. Marlene Aparecida, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, contribuindo com a visão da saúde e dos impactos físicos e psicológicos sofridos pelas vítimas.

A composição do grupo revela uma abordagem multidisciplinar — jurídica, psicológica, policial e médica — essencial para tratar um fenômeno que não se limita a uma única esfera. De acordo com a organização, mais nomes serão divulgados nos próximos dias, compondo a programação da proposta.

Mais que um evento, um movimento

Embora a primeira roda tenha data e tema definidos, o objetivo vai além de um encontro pontual. A expectativa é que o ‘Quebrando o Silêncio' se consolide como um espaço permanente de escuta e conscientização, ampliando gradualmente os temas debatidos.

Em cidades menores, onde as relações são mais próximas e as redes sociais mais entrelaçadas, o silêncio muitas vezes funciona como mecanismo de autopreservação. Rompê-lo exige coragem — e também estratégia. Ao optar pelo diálogo estruturado e pela presença de especialistas, o projeto aposta na informação como instrumento de transformação.

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