Way-262 mostra serviço, mas falta informação; leia a coluna do tabelião André de Paiva Toledo
Inicialmente, a novidade não trouxe alívio: o que se via era apenas o aumento do valor do pedágio. A sensação era de que a história se repetiria. No entanto, nas últimas semanas, a realidade
- Por: André de Paiva Toledo
- 07/09/2025 11:39
Nascido e criado em Belo Horizonte, sempre tive ligação com o interior. O trajeto pela rodovia BR-262 era parte das minhas férias: fosse para visitar minha avó em Araxá, fosse para passar dias com meus tios na zona rural de Ibiá. Campos Altos, cidade que se tornaria tão importante na minha vida adulta, sempre esteve no caminho.
Mais tarde, após ser aprovado em concurso público e tomar posse como Oficial do 1º Cartório de Campos Altos, há quase dezoito anos, passei a conhecer a BR-262 de maneira ainda mais íntima. A rodovia se tornou parte do meu cotidiano, tanto para deslocamentos profissionais como para viagens pessoais. A rodovia é a principal via de ligação com Belo Horizonte, a leste, e com Araxá, a oeste.
Até 26 de junho de 2015, viajar pela BR-262 era um direito gratuito, sustentado pelos impostos de todos. Mas no dia seguinte, a estrada foi entregue à concessionária Triunfo-Concebra, que, durante quase dez anos, acumulou frustrações. Apesar da cobrança de pedágio em diversos pontos, nenhum quilômetro de duplicação entre Nova Serrana e Uberaba saiu do papel. Pelo contrário, os usuários conviveram com longos períodos de interdição em meia pista devido a desmoronamentos sempre agravados pelas chuvas. As chamadas operações “tapa-buraco”, que deveriam ser paliativas, tornaram-se rotina, traduzindo a falta de investimentos mais consistentes.
Neste ano, o Governo Federal transferiu a concessão para a concessionária Way-262. Inicialmente, a novidade não trouxe alívio: o que se via era apenas o aumento do valor do pedágio. A sensação era de que a história se repetiria. No entanto, nas últimas semanas, a realidade começou a mudar.
A Way-262 tem realizado obras significativas de recapeamento em muitos trechos. O asfalto antigo vem sendo substituído por um novo, aparentemente mais resistente. Quem trafega pela rodovia, especialmente entre Nova Serrana e Araxá, percebe as frentes de trabalho. É inegável que se trata de uma melhora em relação ao passado recente. As máquinas estão na pista, os trabalhadores estão atuando e há mudança positiva.
Toda obra em rodovia traz incômodos inevitáveis. Retenções, atrasos e desvios são parte do processo. O problema, contudo, não está na existência das obras, mas na falta de comunicação da concessionária com seus usuários. O motorista precisa de informações claras para planejar seu trajeto. Não basta esperar pacientemente em uma fila sem saber se o atraso será de dez minutos ou de uma hora.
É dever da Way-262 informar tudo de forma clara e acessível. Qual é o plano geral de obras? Existe previsão de duplicação em curto ou médio prazo? Qual é o cronograma detalhado das intervenções? Em quais trechos haverá retenções? Em que horários do dia o fluxo será mais afetado? Em quais dias as obras estarão ativas? São informações essenciais para quem depende da rodovia.
Não adianta restringir a comunicação a um site na internet, de difícil acesso para muitos motoristas em trânsito. É necessário ampliar os canais: divulgar em jornais e rádios locais, distribuir panfletos nas praças de pedágio, instalar sinalizações claras às margens da rodovia. Informação é um direito do consumidor.
Tomei conhecimento de que a Way-262 teria firmado parceria com o aplicativo Waze para oferecer informações em tempo real sobre o fluxo de veículos na BR-262. Ainda vou testar a novidade, mas é uma ideia que merece reconhecimento. Resta torcer para que outras medidas sejam implementadas.
Obras são importantes, mas sem informação adequada o usuário continua sendo tratado como mero espectador de um processo que impacta diretamente sua rotina.
