Temos papa: Leão XIV; leia a coluna do tabelião André de Paiva Toledo

Finalmente, às 13h08 (em Campos Altos) de hoje, 08 de maio de 2025, a praça São Pedro vibrou com a fumaça branca.
- Foto: Internet | Reprodução


Independentemente da religião de cada um de nós, a eleição do papa é um acontecimento de enorme impacto local, regional e global. No planeta, há cerca de 1,4 bilhão de católicos, o que representa quase um quinto da população mundial. No Brasil, embora os católicos não sejam mais maioria absoluta, seguem sendo o maior grupo religioso, com aproximadamente 50% da população — mais de 100 milhões de pessoas. Em seguida, vêm os evangélicos (31%), os agnósticos (10%), os espíritas (3%), os adeptos de religiões afro-brasileiras (2%), os ateus (1%), os judeus (0,3%) e outras minorias. 

Diferentemente dos evangélicos, organizados em múltiplas denominações, os católicos se reúnem sob uma única estrutura, hierárquica e centralizada, com sede no Vaticano. Nesse contexto, a eleição de um papa não é apenas um evento religioso: é também um acontecimento geopolítico, cultural e simbólico de primeira grandeza.

Dezesseis dias após o falecimento de Francisco (1936–2025), pontífice que marcou a Igreja com seu estilo simples, sua diplomacia cautelosa e sua sensibilidade social, os 133 cardeais eleitores reuniram-se em Roma para escolher seu sucessor. Eram 11h15 (em Campos Altos), de ontem, 07 de maio de 2025, quando, na Capela Paulina (em Roma), os cardeais partiram em procissão solene rumo à Capela Sistina, onde ocorreria o conclave.

A Capela Sistina, um dos espaços mais emblemáticos da arte ocidental, não é apenas um cenário grandioso — é parte viva da tradição e da mística da Igreja. Pintada por mestres como Botticelli, Perugino e, sobretudo, Michelangelo, que deixou no teto a impressionante representação da Criação e, na parede do altar, o Juízo Final, a capela oferece um ambiente que mistura beleza, história e espiritualidade. É ali, sob o olhar de profetas e apóstolos, que os cardeais se isolam para conversar e votar.

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Apenas os cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto. O processo é secreto e não admite candidaturas oficiais: cada cardeal escreve, em uma folha de papel, o nome do colega que considera mais apto para a missão. A urna recebe todos os votos, que são então contados. Para que alguém seja eleito, é necessário obter dois terços dos votos dos eleitores presentes.

Às 12h46 (horário de Campos Altos) do mesmo dia, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias pronunciou o tradicional "extra omnes" — “todos fora” —, marcando o início oficial do conclave. As portas da Capela Sistina foram fechadas, e o mundo passou a aguardar, atento, os sinais que sairiam da chaminé: fumaça preta, se não houvesse um eleito; fumaça branca, caso um novo papa fosse escolhido.

No primeiro dia de conclave, realiza-se apenas uma votação, e historicamente é raro que já haja um vencedor. Não foi diferente desta vez: a fumaça preta elevou-se, indicando que o processo seguiria.

Finalmente, às 13h08 (em Campos Altos) de hoje, 08 de maio de 2025, a praça São Pedro vibrou com a fumaça branca. A expectativa cresceu. Minutos depois, o cardeal protodiácono apareceu na sacada da Basílica de São Pedro. Com voz firme, proclamou, às 14h13 (em Campos Altos) em latim o anúncio mais esperado: “habemus papam” — “temos papa”. Em seguida, revelou o nome civil do eleito, Robert Prevost, e o nome pontifício por ele escolhido, Leão 14.

A escolha de Prevost, dos Estados Unidos, como novo papa sob o nome de Leão XIV pode ser interpretada como um gesto simbólico de continuidade e atualização dos princípios promovidos por Leão XIII, amplamente reconhecido por sua encíclica Rerum Novarum (1891), que inaugurou a Doutrina Social da Igreja ao abordar as questões do trabalho, da justiça social e da dignidade humana em meio à industrialização.

Ao adotar esse nome, Leão XIV parece sinalizar uma intenção de retomar e adaptar esse legado ao contexto atual, marcado por desafios como as desigualdades globais, a crise ambiental e a necessidade de diálogo entre fé e razão. Trata-se, portanto, de uma escolha carregada de significado histórico e pastoral, que sugere um papado comprometido com os temas sociais à luz do Evangelho, tal como fez seu predecessor homônimo. Que tenha êxito!

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