Despedida a Francisco; leia a coluna do tabelião André de Paiva Toledo

- Foto: Ashwin Vaswani


Na segunda-feira, 21 de abril de 2025, perdemos uma de nossas maiores lideranças espirituais. Faleceu em Roma, aos 88 anos, o Papa Francisco, após um longo período de convalescência. Seu corpo já dava sinais de exaustão, mas seu espírito, até o último instante, permaneceu firme na fé e no compromisso com os mais vulneráveis. Mesmo enfraquecido, encontrou forças para, na véspera de sua morte, dirigir-se ao povo pela última vez, em uma breve mensagem de despedida, justamente no dia em que os cristãos celebravam a ressurreição de Jesus.

Francisco liderou a Igreja Católica por doze anos, desde sua eleição em 2013. Seu pontificado foi marcado por inúmeros gestos e decisões que ressoaram muito além dos muros do Vaticano. Logo no início, surpreendeu a todos ao escolher o nome Francisco, em homenagem ao santo de Assis. Curiosamente, ele não era franciscano, mas jesuíta. No entanto, ao longo de seu papado, demonstrou uma fidelidade impressionante aos ideais de São Francisco de Assis, que viveu no século XIII e pregava uma vida de simplicidade, desapego material e compaixão incondicional pelos pobres e marginalizados.

Desde o primeiro momento, Francisco deixou claro que seu projeto era o de uma Igreja que caminha junto com o povo — especialmente com aqueles que mais sofrem. Foi incansável em sua luta por uma Igreja menos clerical e mais próxima da realidade cotidiana das pessoas. De maneira corajosa, levou os temas sociais para o centro do debate eclesial, dando voz às periferias do mundo.

Uma das marcas mais expressivas de seu pontificado foi a ênfase na ecologia integral. Em documentos como a encíclica Laudato Si’, ele alertou para os perigos da crise climática e defendeu a necessidade de uma mudança radical no modo como tratamos a criação. O Sínodo dedicado à Amazônia foi um marco não apenas pela pauta ambiental, mas por ter colocado os povos indígenas no centro das discussões, algo inédito na história da Igreja.

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Francisco também procurou tornar a Igreja verdadeiramente universal. Bispos e cardeais de continentes como África, Ásia e América Latina ganharam protagonismo. Assim, a Igreja Católica foi aos poucos se tornando menos eurocêntrica, mais diversa e mais conectada à realidade global. Neste ponto, não podemos deixar de lembrar que Francisco — nascido Jorge Mario Bergoglio, em 1936 — foi o primeiro papa vindo do continente americano. Um feito histórico que, segundo dizem os especialistas nestes primeiros dias de luto, dificilmente se repetirá no próximo conclave.

Para nós, de Campos Altos, permanece viva a lembrança da cena em que Francisco recebeu, com um sorriso afetuoso, um pacote do nosso Café Campos Altos, entregue pelo Governador e produzido com esmero pelo Sr. José Maria Marimbondo. Um pequeno gesto, mas de grande significado.

Aproveito este espaço na imprensa local para deixar registrada minha admiração eterna por Francisco. Que seu sucessor tenha a sabedoria e a coragem de seguir os passos desse homem que, com humildade e firmeza, nos ensinou o valor de uma fraternidade integral. Descanse em paz, Francisco.

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